Já viram um psiquiatra na sala de procedimentos?
Pois eu já estive nessa posição várias vezes — ontem mesmo, inclusive — acompanhando e supervisionando a infusão de medicação para tratamento de depressão resistente com ideação suicida em um adolescente.
Dias atrás comentei sobre psiquiatria intervencionista… Mas afinal, o que é?
A psiquiatria intervencionista é um ramo da especialidade que utiliza técnicas de neuromodulação e medicações de ação rápida para tratar casos graves ou refratários aos tratamentos convencionais.
Alguns exemplos incluem:
- Infusão de Cetamina: administração intravenosa de escetamina, que atua nos receptores NMDA. Indicação: ideação suicida em quadros de depressão refratária, com alívio rápido dos sintomas.
- Estimulação Magnética Transcraniana (EMT): aplicação de pulsos magnéticos para ativar áreas específicas do cérebro de forma não invasiva. Indicações: depressão e ansiedade resistentes, entre outros.
- Eletroconvulsoterapia (ECT): indução controlada de pequenas convulsões, realizada sob anestesia e com uso de relaxantes musculares. Indicações: depressão grave, catatonia e outros quadros psiquiátricos severos, com resposta rápida.
Atualmente, não atuo diretamente em serviços particulares que oferecem essas intervenções, mas encaminho os pacientes quando há indicação.
Estudei, fiz curso e treinamento prático nessas técnicas em 2022 e 2023, embora não tenha colocado em prática naquele período.
Em 2024, motivada por uma sequência de casos clínicos complexos no hospital, participei da elaboração de protocolo para a intervenção e uso seguro da escetamina em adolescentes com depressão refratária.
Pois bem! Em certos casos, a Psiquiatria adentra a sala de procedimentos para oferecer alívio quando os tratamentos convencionais não surtiram efeito suficiente.
